segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Escrita

texto muito lindo que encontrei e também concordei...
abs, andré.


* * *


http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3230&titulo=E_possivel_conquistar_alguem_pela_escrita?

Sexta-feira, 21/1/2011
É possível conquistar alguém pela escrita?
Ana Elisa Ribeiro

Foi durante a leitura de um livro de Ricardo Piglia que essa pergunta me intrigou. Era uma leitura de férias, depois de meses paquerando aquele livro em cima da mesa. Comprei o volume numa loja depois de tempos com aquele título na cabeça. Por sua vez, O último leitor havia sido sugestão de alguém ou dica retirada de alguma revista que andei lendo. Uma coisa puxou a outra e lá estava eu, sentada na cama, de costas para o Sol, lendo Piglia. O que ele dizia era que, sim, é possível conquistar alguém por meio da escrita. A letra, a palavra, o discurso... amoroso, ou não. O debate, as ideias, a inteligência. Isso são porções de uma paquera. E o texto de Piglia se baseava numa questão vivida por Kafka, seria ele? Sim, o diálogo dele com o amigo Max Brod. Seria possível conquistar uma mulher tendo a escrita como intermediária? Interface, veículo, canal, que nome isso tenha. A moça era Felice, um grande amor de Kafka, vivido na escrita, pela escrita, sem interrupções.

De outro lado, a lamparina. Quem escreve sob a luz da lamparina hoje? O abajur, o candelabro, o lustre. Cá estou eu sob a luz fria (mais econômica). O escritor sustentável. Este é meu personagem. Kafka queria apenas saber se a vida conjugal poderia, por algum momento, ser conciliada com a vida de escritor. O grande problema são as interrupções. Como é possível escrever uma obra, se se é interrompido a todo instante? Chamados, pedidos, socorros, reclamações, lamentos, lamúrias, carências, "me ajude", "venha ver", "venha ouvir", "olha só", "amor!". Quem escreve algo a par dessa sabotagem? Claro, amorosa, mas sabotagem. Quem entende a concentração de um escritor em ato?

A escrita pode ser análoga ao mitológico canto da sereia. Quem não leu as aventuras de Ulisses (Odisseu) que leia. A escrita cria personagens, ficções, protagonistas e antagonistas, inclusive em cartas e e-mails. A escrita cria avatares. Sim, novas identidades sob as quais muitos vivemos. Aquelas aulas sobre o narrador, sobre o eu lírico, indecifráveis... não eram mero delírio de professores loucos por provas bestas. Os avatares são construções do discurso. E eles seduzem não apenas os outros, os leitores, com quem se interage, mas costumam nos seduzir a nós, que os criamos e neles cremos, neles vivemos, inclusive sendo, neles, muito mais do que realmente somos (ou ao menos diferentes). As simpatias, os escrúpulos, o tom e as memórias narradas de um avatar (personagem) são, em grande medida, romances e ficções.

Não raro eu mandava cartas. Coleciono ainda algumas, as que restaram dos diálogos que emendei sem interrupções. Nem todas geraram avatares muito diversos de mim, mas isso não foi incomum. O que podem fazer os e-mails? Unir e desunir. O que podem fazer os diálogos virtuais nos chats? Nos microblogs? Tudo. Contam histórias inteiras, nem sempre verdadeiras. E lá vem o último leitor criar ficções em torno de avatares.

Tenho certeza de que Kafka conquistou Felice por meio de sua escrita. E ela a ele. Quem escreve gosta de respostas. Há então um duelo de textos, uma esgrima intelectual que passa a contar uma história. Não são poucas as pessoas que se apaixonam por narradores. Não me lembro de muitas ocorrências, mas chorei pelo fim da narração de Riobaldo. Não era ele, não era Rosa, não eram eles, mas seu modo de escrever. Era Etienne, de Zola, que me parecia ter uma voz dura de quem me narrava aquelas histórias da mineração.

Eu narrei, várias vezes, de um jeito que não sou eu. Nem sempre me reconheço nas narrativas que conto. Cada um, a seu modo, constrói um personagem que, às vezes, se confunde comigo. E era comum me chamarem pelo título de um dos meus livros, Perversa, inclusive esperando de mim que eu me vestisse como uma lenda. E nem bem era eu.

Frequentemente, eu era conquistada pela inteligência dos outros. Em alguns casos, fui conquistada até o amor mesmo. Não apenas uma admiração de superfície, mas um gosto absurdo pelos textos de outrem. As distorções linguageiras de que o narrador/a pessoa era capaz, um virtuosismo que me empolgava. Não foi raro o texto vir antes das pessoas. E era uma espécie de cartão de visitas ou mesmo de presença diária. Uma imensa honra saber que eu inspirara algo. Maior presente do mundo. Ser personagem, ser musa, ser causa e consequência. Mesmo quando a motivação era ódio e delírio. Fricção, urgência sexual, quando eu li o texto do narrador em público e ele estava na plateia, não exatamente o narrador, mas o escritor. Sedução e provocação. Ao mesmo tempo, imenso incômodo ouvir meu texto em outra voz, nem sempre no ritmo que eu quis dar. Presente, alucinação ou desejo. A escrita continua lá e cá, entre a luz e os lampejos. Não se brinca com quem escreve bem. Não se troca carta ou e-mail com quem arremata prêmios apenas com lances de verbo. É risco, na certa.

Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 21/1/2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Party

A novidade do semestre...

Fiz ENEM:

* Redação: 850,00/
* Linguagens, Códigos e suas Tecnologias: 654,50/
* Matemática e suas Tecnologias: 634,60/
* Ciências da Natureza e suas Tecnologias: 628,50/
* Ciências Humanas e suas Tecnologias: 767,30/

Na seleção do SISU:

* Nota geral: 706,98
(nada mal, saído há 12 anos do Colégio...)

Me inscrevi e fui aprovado:

* Bacharelado - Dança - Integral
* Instituto de Cultura e Arte - Universidade Federal do Ceará

Significa, portanto, conforme meu destino (ENEM/SISU/MEC), que os próximos anos serão animados:

* Dois Doutorados em aberto (em Lisboa e em Viena),
* Meu emprego como Professor de Psicologia e Psicoterapeuta,
* E um novo Curso, integral, inserido no campo da Arte.

Vamos comemorar?
Dré.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dh

PARA QUE SERVE, MESMO, UMA CONSTITUIÇÃO ?
Fábio Konder Comparato

(...)
É preciso começar pela distinção básica entre direitos humanos, deveres humanos e garantias fundamentais.

Os direitos humanos são inatos a todos os componentes da espécie humana, porque dizem respeito à sua dignidade de pessoas; isto é, dos únicos seres da biosfera dotados de razão e consciência, como enfatiza o artigo primeiro da Declaração Universal de 1948. Por isso mesmo, tais direitos não são criados pela autoridade estatal, mas por ela simplesmente reconhecidos. Em doutrina, faz-se, em conseqüência, a distinção entre direitos humanos e direitos fundamentais. Estes últimos são os direitos humanos reconhecidos nas Constituições ou nos tratados internacionais.

Em estrita correspondência com os direitos humanos, existem os deveres humanos. Para ilustração, basta lembrar que todos têm direito à vida, direito esse que, em conseqüência, deve ser por todos respeitado. Os Estados, por não serem pessoas humanas, não possuem obviamente direitos humanos. Não obstante, todos os Estados têm deveres humanos, quando mais não seja o de criar os meios ou instrumentos legais de proteção dos direitos, vale dizer, de estabelecer as garantias fundamentais.

Ao contrário dos direitos e dos deveres humanos, as garantias somente existem quando criadas e reguladas pela autoridade competente; ou seja, os Estados, no plano nacional ou internacional, e as organizações internacionais, como a ONU e a OEA. Daí porque tais garantias são ditas fundamentais e não simplesmente humanas, como os direitos.
(...)

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/01/17/comparato-ao-ministro-bernardo-para-que-serve-a-constituicao/

If

-- RUDYARD KIPLING --

IF

http://www.youtube.com/watch?v=wpcNFll5yOM

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or, being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build 'em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on";

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings - nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man my son!

domingo, 16 de janeiro de 2011

NOSSO SEMESTRE COMEÇOU.

* * *

Atividades Gratuitas no Teatro José de Alencar (Fortaleza).

Quatro espetáculos que serão encenados
pela Cia. Teatro Oficina de Zé Celso (RJ) no Theatro José de Alencar:

-- segunda, 24/Janeiro, 20h:
Taniko (duração prevista:1h45min) Livre para todas as idades

-- terça, 25/Janeiro, 19h:
Cacilda!! (dp: 6h c/ 02 intervalos) 16 anos

-- quarta, 26/Janeiro, 19h:
Bacantes (dp: 6h c/ 02 intervalos) 16 anos

-- quinta, 27/Janeiro, 19h:
O Banquete (dp: 4h c/ 01 intervalo) 16 anos

Dionísicas no TJA/Cia. Teatro Oficina - Grátis/Acesso por ordem de chegada:
- troque brinquedos/Taniko,
- flores/Cacilda! e
- frutas/Bacantes+O Banquete por 01 ingresso na bilheteria do TJA 1h antes do início de cada sessão. Doações na quantidade que vc preferir. Como frutas, leve de preferência aquelas que possam ser servidas inteiras (uva, siriguela, cajá, maçã, pitomba, caju, goiaba, pêra, banana, tangerina etc.)


Programa

* * segunda-feira, 24 de janeiro de 2011, 20h

TANIKO

Um NÔ BOSSA NOVA TRANS ZEN IKO antropofagiando o Antigo Teatro Budista Japonês: o NÔ comido pela YOGA REQUEBRADA DA BOSSA NOVA DE SÃO JOÃO GILBERTO, iniciando a viagem das DIONIZÍACAS docemente, com esta peça para crianças de todas as idades.


* * terça, 25, 19h

ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR – CACILDA!!

2ª peça da TETRALOGIA CACILDA!, CACILDA!!, CACILDA!!! (TBC), CACILDA!!!! (TCB). Esta segunda peça das DIONIZÍACAS revive Cacilda Becker dos 20 aos 28 anos, iniciando sua carreira de Atriz Matriz do Teatro Brasileiro Contemporâneo, no Rio de Janeiro, ainda Capital do Brasil, nos férteis anos 40.

Nestes tempos em plena 2ª Guerra mundial formou-se a geração da Cultura que iria construir o BRASIL poderoso dos dias de hoje: Oscar Niemeyer, Villa Lobos, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Grande Othelo, Darcy Ribeiro, Oswald e Mário de Andrade, Maria della Costa, Jardel Filho, Portinari, Bidu Sayão, Jorge Amado, Dorival Caymmi, e muitos outros criadores. Surgiram instituições como a RÁDIO NACIONAL, puxada por Emilinha Borba e Marlene, quando deu-se a MODERNIZAÇÃO DO TEATRO BRASILEIRO ainda em 1943 com Nelson Rodrigues encenado por Ziembinski em sua peça, “O VESTIDO DE NOIVA”, e Oswald de Andrade lançando seu “MANIFESTO DE TEATRO DE ESTÁDIO”.

Época em que se viveu a ALEGRIA DO FIM DA GUERRA, a instauração da DEMOCRACIA no BRASIL e o surgimento da famosa empresa cinematográfica ATLÂNTIDA, onde Cacilda Becker atuou como a 1ª TRÁGICA da empresa no filme com Grande Othelo “LUZ DOS MEUS OLHOS”.


* * quarta, 26, 19h

BACANTES

Origem do Rito Teatral de DIONÍSIOS, o deus do TEATRO, nossa 1ª ÓPERA DE CARNAVAL, em cartaz desde 1996. Nosso maior sucesso popular por replantarmos DIONÍSIOS, trazendo o Óbvio de que o TEATRO É TAMBÉM FILHO DE ZEUS, (porque não dizer aqui no Brasil, de DEUS) e não uma atividade descartável, enclausurada nos caros Palcos Italianos dos Shoppings , guetados por um Público consumidor dos ídolos de Novelas, que perdeu o ELO DA ARTE AO VIVO DO TEATRO COMO SEU PODER MÁGICO SAGRADO.


* * quinta, 27, 19h

O BANQUETE

O Banquete, de PLATÃO E SÓCRATES, numa INVERSÃO EM VERSOS, MÚSICA, COM A SABEDORIA DA INSÂNIA DO “AMOR CORPO-ALMA”, SERVIDA COM VINHO NUMA GRANDE MESA PISTA CERCADA DE COLCHÕES E ALMOFADAS. O Mito do amor sem a sexualidade que os monges da Idade Média transmitiram na tradução traidora do famoso “Symposium” de Platão como “Amor Platônico” somente espiritual, aqui, agora, é desmistificado e revelado como “AMOR ALMA E CARNE.”